Solidão e Liberdade: O Silêncio que Revela
Solidão e Liberdade: O Silêncio que Revela
Por muito tempo, eu estive em um relacionamento longo.
E era bom. Era acolhedor, familiar, até previsível, o que em alguns momentos, era exatamente o que eu precisava.
Mas chegou uma hora em que o amor mudou de forma. Virou amizade, parceria, lembrança.
E, depois, silêncio. Quando o relacionamento acabou, fiquei só.
E no início… doeu…
Não pela falta do outro em si, mas pela ausência que ficou dentro da rotina.
Era estranho cozinhar só pra mim. Descer com o lixo e voltar pro sofá em silêncio. Ir dormir sem dizer “boa noite” em voz alta.
Era como se o som da minha própria presença ficasse mais alto, e eu não soubesse bem o que fazer com ele.
Mas o tempo, ah… o tempo tem mãos delicadas. Ele vai reorganizando as coisas dentro da gente.

Hoje, eu vejo esse silêncio com outros olhos. Com olhos de quem aprendeu que estar só não é fracasso, é liberdade.
É escolha. É reencontro…
E quanto mais converso com outras mulheres, mais percebo quantos caminhos diferentes a solidão pode ter.
A Fátima , uma conhecida, mora com o marido há 35 anos. Dormem na mesma cama, tomam café juntos.
Mas ela me confessou:
“Me sinto mais sozinha com ele do que quando estou só.”
É aquela solidão que pesa na presença, quando o silêncio entre duas pessoas fala mais alto do que mil palavras.
Já a Cláudia fez o oposto. Largou tudo aos 50 e foi morar na Itália.
“Queria descobrir o que sobrava de mim sem os outros ao redor.”
Hoje, vive num vilarejo, tem amigas novas, anda de bicicleta, sente saudade, mas sente liberdade também. Disse que ali, sozinha, ela finalmente se escuta.

E tem a Denise. Essa escolheu ficar só por convicção. Depois de dois divórcios e três décadas cuidando dos outros, decidiu cuidar de si.
“Hoje minha casa é só minha. Meu tempo é meu. Se alguém entrar, é bônus, não é necessidade.”
Ela tem plantas, livros, vinho, e uma paz que a preenche inteira.
Eu olho essas mulheres e me reconheço em todas. Na que ainda sente falta. Na que encontrou alívio. Na que vive entre duas saudades: do que foi, e do que poderia ter sido.
E entendo que solidão não é uma sentença. É um espaço. E o que a gente faz dentro dele é que define se vai ser um buraco ou um campo fértil.
Eu já chorei sozinha. Já ri sozinha. Já fiz planos, já desisti, já recomecei.
E hoje, quando a casa está em silêncio, respiro fundo. E agradeço. Por me ter.
Para refletir:
- Você está sozinha ou está em paz?
- A presença de alguém ao seu lado te preenche ou te esvazia?
- Que liberdade você abriria espaço para viver se não tivesse medo da ausência?
Vamos nessa?
Patrícia Ceola

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